Agespisa é uma das piores companhias de água do Brasil
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A empresa Águas e Esgotos do Piauí (Agespisa) oferece o quinto pior serviço de abastecimento e saneamento de todas as companhias que atuam nos 26 estados brasileiros. O ranking foi elaborado pelo Instituto Trata Brasil, uma ONG voltada a universalização do saneamento, a pedido da revista Exame, que publicou esta semana reportagem sobre o assunto.
Com o título, "Um gargalo subterrâneo", a publicação retrata como as companhias de água e saneamento estão prejudicando o desempenho do programa Minha Casa Minha Vida. Segundo a revista, o gargalo do saneamento se tornou uma ameaça à viabi-lização da segunda etapa do programa, principalmente para as casas mais populares. Os empresários que constroem os imóveis contaram a Exame que estão investindo mais nos projetos para as faixas de renda mais alta, porque é possível cobrar pela aquisição de terrenos em lugares já servidos por saneamento.
O programa Minha Casa Minha Vida exige que os imóveis sejam construídos em áreas com serviço de esgoto e água encanada. Mas este tem sido o principal obstáculo ao Programa, "um dos principais deste final de governo Luiz Inácio Lula da Silva e uma jóia da plataforma eleitoral de sua candidata à sucessão, Dilma Roussef". O Minha Casa Minha Vida prevê a construção de 1 milhão de moradias. Até final de junho, conforme balanço da Caixa Economica Federal, havia 521 000 propostas contratadas de casas e apartamentos, dos quais 125.000 estavam concluídos.
A Agespisa atende 63% da população piauiense e oferece apenas 5% de rede de esgoto. Dados do ano de 2008, apontam um déficit de R$ 24 milhões e investimento realizado de R$ 13 milhões. Estes índices colocam a Agespisa no 22° lugar em qualidade, de um grupo de 26 empresas, ficando a frente somente das companhias do Amazonas (Cosama); Acre (Deas); Pará (Cosanpa) e Rondônia (Caerd).
Em situação precária, três companhias estaduais assinaram um termo de adesão na Caixa Econômica para participar do programa de melhoria de gestão de capitalização, mas o Piauí ainda não aderiu. As companhias do Pará, Maranhão e Mato Grosso do Sul inauguram a alternativa de recuperação junto ao banco, caso dê resultados positivos, é possível que a Caixa se torne acionária temporária das companhias.
No Brasil, o melhor exemplo é a da Sabesp, de São Paulo, cujo processo de recuperação começou nos anos 90. A partir de 1994, a empresa começou a contar com capital privado, hoje o governo paulista detém 50,3% das ações e o restante está nas mãos dos investidores da Bovespa.
Fonte: Diário do Povo