Heráclito dá depoimento sobre denúncia de compra de votos

O senador Heráclito Fortes (DEM) prestou ontem depoimento ao procurador regional eleitoral, Marco Aurélio Adão, sobre declarações, dadas a uma emissora de TV local, acerca de esquema de compra de votosno interior do estado. O depoimento durou duas horas e meia e aconteceu na sede da Procuradoria da República. Tanto o senador quanto o procurador afirmaram não ter nada a declarar sobre o depoimento.
O discurso do democrata foi dirigido para as denúncias envolvendo órgãos do Governo Federal. “Não é aprimeira vez que os Correios são foco de veladas denúncias. E nada foi apurado. Também não é a primeira vez que a Casa Civil sofre denúncias, inclusive de montagem de dossiês, sem que apurações se processassem, dando-se com isso a sensação de impunidade a quem pratica tais irregularidades”, lembrou, acrescentando que parece que o Brasil vive um momento de “anestesia”. “Os escândalos já não causam estranheza, parecem rotineiros, parecem uma coisa do dia-a-dia”, reclamou, afirmando ainda que, no Piauí, há muitas denúncias que não são apuradas. “É o caso da Emgerpi, que é um escândalo que envolve milhões e que se encontra nas mãos da Polícia Federal. E esses fatos, simplesmente, não são apurados”, citou.
Sobre a denúncia de compra de votos feita em uma emissora de TV local, Fortes disse que um “sofisticado processo de corrupção” foi instalado no Piauí com a participação de autoridades diretas, inclusive, de membro do Governo Federal, com liberação de emendas federais em troca de sufrágios. “No Piauí, não se respeita mais a lei. Fazem-se contratos de terceirizados dentro do prazo eleitoral; as construtoras param as obras, porque não recebem os pagamentos devidos; dinheiro de programas específicos – como, por exemplo, recentemente, a liberação de R$ 70 milhões do BNDES, dirigido pelo sério economista Luciano Coutinho – é colocado para pagamento de pessoal; construtoras vão à imprensa denunciar e justificar o motivo da paralisação das obras. E tudo fica por isso mesmo”, enumerou.
Fortes disse, ainda, que fez as denúncias porque é “um municipalista convicto” e que acredita que é preciso preservar a instituição do municipalismo. “O pior de tudo isso é que o eleitor fica à margem dessa distribuição farta de recursos, não se beneficia e é levado a votar em nome de lideranças ou para atender lideranças que se locupletam, muitas vezes de maneira inescrupulosa, desses benefícios. São fatos graves”, concluiu.
Fonte: sistema O Dia