Trabalho infantil atinge 115 mil crianças piauienses
Enquanto as políticas públicas tentam não deixar nenhuma criança fora da escola, os adultos, ao contrário, incentivam os pequenos ao trabalho antes de completar os 17 anos de idade. No Piauí, a cultura das famílias de permitir que os filhos façam tarefas domésticas ou no campo é considerada o principal obstáculo para a redução do trabalho infantil no estado.
Atualmente, segundo o IBGE, 115 mil crianças e adolescentes piauienses de 5 a 17 anos trabalham, 15% do total. É o segundo pior número do Brasil. É esse comportamento da sociedade que o Fórum Estadual de Combate ao Trabalho Infantil e Proteção ao Trabalhador Adolescente (Feti/PI) pretende acabar.
Ontem, para reforçar essa intenção, foi lançada na praça João Luís Ferreira, no Centro de Teresina, a campanha internacional Cartão Velho ao Trabalho infantil. “Para mim, é miséria cultural esse pensamento de adultos e pais acharem normal as crianças trabalharem. É comum a gente ouvir dos adultos que ‘é melhor a criança estar trabalhando do que ficar na rua, usando drogas’. Ora, a escola é que deve ser incentivada e não a produção oriunda dos pequenos”, afirma o auditor fiscal do Trabalho, Rubervan Nascimento, integrante do Feti.
Durante o lançamento da campanha, representantes do Ministério Público do Trabalho e da Superintendência Regional do Trabalho estiveram na praça distribuindo panfletos alertando sobre a importância de se combater o trabalho infantil. “Nossa intenção é principalmente conscientizar a população de que não é correto usar a criança ou o adolescente para trabalhar. O lugar de ambos é na escola”, explica Rubervan.
A procuradora do Trabalho, Jeane Carvalho de Araújo, ressalta que a maioria dos casos que chegam à Procuradoria Regional do Trabalho do Piauí envolve crianças e adolescentes que moravam na zona rural e desempenham papel de doméstica em casa de famílias nas maiores cidades do estado. “Os adultos geralmente chegam no interior e dizem aos pais da criança que podem dar uma vida mulher ao filho na cidade, porque terá estudo, comida e moradia.
No entanto, ao chegar na nova casa, acriança é obrigada a fazer serviços domésticos, como se fosse um trabalhador adulto”, conta Jeane. Em alguns casos, realmente os “patrões” matriculam a criança ou o adolescente em um colégio, mas, como tem que trabalhar, o desempenho do aluno é pífio. “Já foi constatado em pesquisas que a criança que trabalha não consegue render nocolégio”, explica Rubervan.
As peças publicitárias do panfleto distribuído ontem têm o jogador Robinho, da seleção brasileira, como garoto- propaganda. O tema é “cartão vermelho para o trabalho infantil”.
Autor/Fonte: Robert Pedrosa-Jornal O Dia